TRAÇOS
fev 14Ainda não sei sobre estilo Traçado Nome Ainda não sei de nada Contento-me em saber que estou viva Estou em dia Com minhas interrogações Apreciando os sabores Azeitando dissabores No verdume dos meus cabelos Meus pés são de arado Como minhas mãos Acordo com o sono E vejo relâmpagos Rasgando o céu… A escuridão vai embora E fico qual Gibran A correr na...
AGONIA
fev 04Esse céu nublado que não deixa A lua aparecer por entre as nuvens Acolher os meus antigos queixumes Apreender os mais sinceros perdões São Jorge não é a sombra que penumbra O dragão há muito tempo fugiu A lança no meu coração partiu Espinhos já invadem minha cama … Levanto para dormir Acordo para sonhar Deito para falar Espero pra não fugir Choro o que não sei E o que...
DO NÃO DITO
jan 26Às vezes me invade este sentimento do mundo… Calo, querendo falar Choro, buscando sorrir Às vezes me invade este sentimento do mundo Igual ocorre com os poetas… Doces poetas… Quando morrem, deixam saudades Quando vivos Plantam esperanças De poeta, sou nada Sem a mão que me acompanha Às vezes me invade este sentimento do mundo E percebo que nada sou Ou … Não me...
DESPERTAR
jan 22Nesta manhã, resolveu que adiaria seu despertar para não passar mais um dia como sonâmbula. Deita-se novamente. Espicha-se na cama como gato, ronrona e tenta serenar a cabeça que teima em pensar. Adormece. Acorda com os dois pés fora da cama, pois nunca foi chegada a superstições. Tropeça no brinquedo esquecido pelo filho na noite anterior, quando brincou até os dois desmaiarem de sono....
REBELDIA
jan 16As palavras passeiam na minha frente, fazendo pouco da minha lentidão. Não que sejam apressadas. Não. Demoram-se nas encruzilhadas, deitam-se nas ruas. Sim, entre jornais e revistas atravessadas. Nem o vento as fazem desaparecer. Chacoalham em cima da lagoa. Refletem-se na água. Deitam na beira da estrada e riem. Gargalham. Depois choram, coitadas, pela solidão humana. São solidárias –...
ESTIAGEM
dez 30O tempo de estiagem chegou em Sementeiras, instalou-se nas horas aceleradas, acordando os pés para andarem, andarem e andarem. Tenho colhido sementes aos montes nas ofertas dos amigos, nas conversas ao pé do ouvido, nas esquinas onde o carro não pode passar. Agora mesmo chego de um presente há muito esperado. Edgar Mattos, Arsênio Meira, Domingos Sávio, Tadeu Rocha, André Gustavo, João...
ALTERIDADE
dez 14Cinco minutos para o final do almoço Despedida Ociosidade Alteridade… Cinco minutos levo Escrevendo letras sem saber dizer Enquanto isso, lá embaixo Cinco anos me aguardam o chamado Irá fazer a cama, desarrumar armários Sentar pai e mãe à mesa… As palavras visíveis Sentadas Ali na sala … E eu fico, então Sem precisar...
DESENOVELAR
dez 05A notícia da ausência é anunciada antes da espera. Sobra-lhe mais tempo para almoçar e descansar. De quê? Abre a boca inúmeras vezes, como a reter um pouco mais de ar. Parece-lhe pouco as horas do dia. Costuma avançar pela noite, tentando aproveitar o tempo que de longe lhe acena e de perto lhe dá petelecos: _ Acorda, menina! Não, dorme, menina! Enquanto a insônia perdura, vai-se...
QUANDO HISTÓRIAS VIRAM REALIDADE
nov 23Ela se atola em exigências. Diante do espelho reflete sobre o muito que deixou de ser. De tanto deixar, já não sabe quem direito é. Sabe, é certo, por exclusão: não sou assim, não sou assado, não gosto disso e daquilo. Autoconhecimento por exclusão é tudo o que tem. Conhecer-se nas negativas. Suas interrogações viajam a velocidade da luz. Não consegue sossegar direito o espírito...




Comentários Recentes