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“QUEM NÃO VIAJA, FICA!”

“QUEM NÃO VIAJA, FICA!”

set 21

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Sexta-feira fui ao encontro de uma paragem às minhas contemplações. Um lugar abençoado ao redor de um cajueiro que parece nos abraçar, quando lá chegamos. Ele estende os braços para que possamos usufruir do seu acolhimento, sustentando nossas redes com firmeza e suavidade. A sombra nos convida a uma boa conversa, uma boa música, brincadeiras de esconde-esconde e tudo o mais que pudermos inventar; todos viram crianças num piscar de olhos. De lá se escuta a voz do mar e, assim, ele vai nos embalando.

Pés na areia nos apoiam mais. O céu sempre amplo, sem edifícios a estreitá-lo, dá-nos uma dimensão maior do muito que podemos ser e seremos. A estrada é nosso guia de viagem. As árvores a se beijarem no alto, nos convidam a abrir ainda mais o vidro para entrar o perfume de ar fresco, nascido dessas copas fraternas. Um túnel verde se estende a nossa frente e por ele passamos de vidro e coração abertos. É a Reserva de Saltinho, cuja cachoeira ainda derrama água límpida, apesar dos usurpadores das riquezas naturais. A cerca e avisos demonstram o cuidado, os quais esperamos sejam respeitados. A natureza é uma grande professora, cuja lição precisa ser mantida atualizada, sob pena de esquecermos de nós mesmos.

Um final de semana inteirinho reservado ao deleite, à brecha do nosso tempo, cuja brevidade anda nos aperreando dia-a-dia. Chego a duvidar que o dia tenha ainda 24 horas e, garanto, não sou a única. A física deve ter alguma explicação para este fenômeno mundial, ou talvez, apenas a vida prática nos mostre o quanto nos enchemos de afazeres dos mais diversos. É a vida, dizem muitos. Ou, quem sabe, seja o que fazemos com a vida, para sermos mais exatos. Um hiato no dia, uma parada nos afazeres somente para contemplar, ouvir, absorver. É isto o que nos aconselha a consciência: pare, olhe, escute. Quase como um aviso de rodovia férrea. Se seremos atropelados ou se pegaremos o trem…isto é uma boa pergunta a uma escolha obrigatória.

Vates e Violas* no som do carro mostrou o intinerário:

“Planos que foram realizados

E transformados

Em motivos de viver

Marcas tatuadas são normais

Se ninguém faz

O tempo vai fazer”

Como o próprio grupo musical profetiza: ‘quem não viaja, fica’. Melhor viajarmos, então, pois já ficamos demais. Boas companhias, boas conversas, atualizações de problemas, mas também de alegrias. Não há como calcular o valor de uma boa conversa, das risadas compartilhadas, da intimidade que nos mostra além do que os olhos podem ver. Um mar inteiro a nos encher a alma e os pescadores que ficam no meio da nossa caminhada na areia, dando-nos lições sobre paciência e persistência. Uma igrejinha à beira mar só pode mesmo nos abençoar, lembrando do santuário natural aos nossos pés, ou melhor, às nossas mãos. Ê vidão!

É hora de voltar. O retorno é sempre mais rápido. Chegamos. Muitos ganhos a contabilizar. Amanhã será um dia bem mais feliz. Cuidar de gente com marcas tatuadas pelo tempo, é tarefa do dia. A mala chegou mais cheia. Entre a bagagem, a notícia de mais gente nova no mundo. Notícias de longe, que chegam perto. A família cresce, graças a Deus. Todos a se entusiasmarem com os títulos novos: avô, bisavô, tio-bisavô, tia-avó…! E olhe que o dia ainda tem 24 horas!

*Vates e Violas é um grupo que passeia entre a poesia e a melodia bem trabalhada. Tem dois discos: “tudo o que é bom, presta” e “quem não viaja, fica”; eu, por sorte, tenho os dois.

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