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A BÊNÇÃO, RECIFE

A BÊNÇÃO, RECIFE

jun 06

Imagens de suas pontes correm o mundo. De Veneza Brasileira foi batizada, mas o que não se sabe é quantos caminhos existem em Recife. Aconchego dos poetas, que repousam nas suas praças, se embriagam com sua beleza, encostam-se nos baobás em plena tarde para acordarem por algum guarda desavisado, à procura de manter a ordem pública.

Sim, Recife, tuas alas, tuas ruas que tantos já andaram, que pousaram os pés de Manuel Bandeira, de Antônio Maria, que agitam tantos outros no vai e vem do frevo, ou do “frevo” do cotidiano, do frenesi do teu trânsito que nos tira o sossego.

Perdemos as horas encontrando caminhos mais curtos e esquecemos da Avenida Caxangá, cortando bairros, da Avenida Norte, atravessando a sorte, rebatizada com um segundo nome para lembrar mais um cearense que te adotou. Lembramos apenas do Coque das páginas policiais, esquecendo que a história, há tempos, toma outro rumo nas mãos dos meninos que folheiam as páginas dos livros da Biblioteca Popular do Coque ou, simplesmente, afinam os ouvidos, escutanto histórias carinhosamente contadas por bocas abençoadas.

Sim, Recife, nos acostumamos com tua agonia e com tuas surpresas, constantemente nos fazendo olhar para o céu em plena segunda-feira. Bênçãos, Recife, para teus habitantes que são privilegiados com tuas árvores centenárias a fazerem túneis por tuas ruas. Bênçãos, Recife, tu jorras em forma de pontes, como a lembrar que não precisamos de muros. Bênçãos, Recife, nas encostas dos teus morros que desassossegados esperam o inverno e tuas chuvas calamitosas. Dignidade, Recife, para teus filhos pequeninos que estacionam nos sinais à espera do que eles nem sabem ainda, mas, certamente, suas mães – nas calçadas – têm certeza. Quanta dor, Recife, ao mirarmos olhos tão tristes, por já pedirem! Misericórdia, Recife, para que as balas se percam para sempre no espaço de ninguém, sem atingir ninguém, sem fazer sofrer mães, pais, famílias inteiras.

Ah, bênçãos, bênçãos…bênçãos é também poder andar por ruas que carregam palavras benfazejas: amizade, harmonia, aurora, concórdia…bairros que nos desejam: boa viagem, boa vista.

Sim, Recife, teus problemas não são apenas teus. Infelizmente, tens muitas outras companheiras espalhadas neste país, capitais que carregam infelicidades, mas tuas virtudes são singulares e sentidas por quem te vive como os teus rios. A água passa, o tempo passa, mas sempre terá uma ponte para atravessar, para ligar, unir…és ponte, Recife!

11 comentários

  1. Anonymous
    1

    Por enquanto só digo que ficou uma beleza! Enquanto você não chega ao Ceará, viu?
    Halano

  2. Luna Freire
    2

    Esse é o Recife de verdade, de gentes, de cheiros, de vontade de ser feliz!… Obrigada por deixar que se veja o Coque que não se diz. Tem outros lugares assim. Tem biblioteca em Caranguejo Tabaiares, Peixinhos, Bairro Novo… E com um pessoal organizado em rede. Confere: rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com

  3. Magna Santos
    3

    Cumpade, pode me esperar: tô chegando. Prepare logo os ouvidos para escutar muito "miolo de pote".

    Obrigada você, Fabiana, por ser a boca abençoada a nutrir a realidade dos meninos do Coque de afeto e vontade de ser feliz. Que Deus te ilumine sempre. Gosto quando Samarone diz que um menino com um livro na mão está muito mais protegido. É verdade.

    Abraços.
    Magna

  4. Beta Martins
    4

    èi Magna ,esse p ler comendo uma "tora" daquele bolo de rolo recheado com goiabada hummmmmmmmmmmmm,delicia ,legitimo pernambucano…

  5. Magna Santos
    5

    Beta, diz quando vais estar no Brejo que, se der, levo uma 'tora' pra ti. A gente come junto com um copo de "ponche" ou quem sabe cajuína hummmmmmmm.
    Beijo
    Magna

  6. Paulo Tamburro
    6

    Então tá falado: Viva Recife!

    Congeça meu blog: Humor em textos.

    A crônica desta semana vai deixar você mais atenta as teias de aranhas(rs).

    Um abração carioca!

  7. Paulo Tamburro
    7

    CONGEÇA, NÃO!!!! CONHEÇA.

    DESCULPE A ESCORREGADA NO TECLADO!

  8. Pachelly Jamacaru
    8

    Bem abençoado seja, Recífe!

    Abraços

  9. Dimas Lins
    9

    Magna,

    Belíssimo olhar cearense sobre o Recife (ou seria – por que não? – de uma também pernambucana?). Senti nesta crônica um gosto de tapioca e de bolo de rolo.

    Bênção, Recife, também para os que te adotam.

    Abraços,

    Dimas Lins

  10. Clenes Mendes Calafange
    10

    Deixo aqui meu comentário em forma de música, pois posso reunir duas coisas que amo: meu Recife e música!

    Minha Cidade (Menina dos Olhos do Mar)
    Composição: Lenine / Lula Queiroga

    Minha cidade
    menina dos olhos do mar
    dos rios que levam meu coração
    do sol que começa a raiar

    é por você que eu peço na minha loa
    por essa gente tão boa
    abre um sorriso e canta

    Minha cidade
    das vilas, dos manguezais
    dos altos e dos coqueiros
    da fé que move o futuro
    oh, Conceição, Senhora, abençoai
    essa cidade que só quer crescer
    e ser feliz

    Recife eu te dou meu coração…
    Recife eu te dou

    Olha o Recife
    da grande festa popular
    dos bravos guerreiros que a história nos deu
    dos arranha-céus e sobrados

    É pra você
    que a gente oferece a loa
    por essa terra tão boa
    abre a janela e canta

    Minha cidade
    menina dos olhos do mar
    dos mascates, dos mercados
    das pontes dos tempos de Holanda
    oh, Conceição, senhora, abençoai
    o meu Recife que só quer crescer
    e ser feliz

    Teus bairros mostram a coragem residente
    e reflete a luta no olhar
    dessa gente humilde que procura vencer
    ensina ao Recife e ao mesmo tempo aprender
    minha cidade em evidência, silêncio e harmonia
    com a beleza da noite e a intensidade do dia
    vamos lembrar dos mestres e poetas
    vamos lembrar dos que fizeram do Recife
    essa festa
    vamos lembrar frei caneca, Ascenço Ferreira
    Nelson Ferreira, Brennand, Canibal,
    Capiba, João Cabral, Chico Science, Josué,
    vamos lembrar dos batutas de São José
    Mestre Salú, Ariano, Zero Quatro, Roger
    daqui do Alto Zé do Pinho, mandando prá você
    da Nação Zumbi, Nação Pernambuco,
    mangaba, faceta, Faces do Subúrbio…
    é o Recife que o povo daqui descobriu
    do marco zero para o ano 2000

    Recife eu te dou meu coração
    meu coração vai nas águas do rio…

  11. Magna Santos
    11

    Clenes, bem lembrado! Esta música é linda!

    Dimas, Recife tem mesmo cheiro e gosto de tapioca e bolo de rolo. Obrigada pelas bênçãos.

    Pachelly, faltou sua nota para minha foto.

    Paulo, bem-vindo e obrigada.

    Abraços.
    Magna

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