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INCONFORMAÇÃO

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set 04

Queremos ser outro
Residente no imaginário
Este aqui de carne e osso
E veias
E sangue
Ah, este é mesmo o que pulsa e se movimenta

O outro…parado
Estático
De nada
Permanece adormecido no fundo da lagoa

E espera que um belo dia
Possamos tirá-lo de lá
Quando, enfim, nos afogaremos.

Escrito após a leitura de um poema do grego Konstantino Kaváfis, publicado no blog Quemerospoemas de Samarone Lima.

8 comentários

  1. Anonymous
    1

    Cara Comadre. Que bom ler e imaginar o imaginário. Mas não nos afoguemos com esse estático, vamos só olhar com cuidado esse preguiçoso, tendo cuidado para não botar-lhe olhado. Vamos só dizer a mãe dele que ele nada faz, e só vive na lagoa. Ai ela tira ele de lá e bota pra cuidar na vida.
    Halano

  2. Dimas Lins
    2

    Ah, mas como é bom se afogar! Ainda mais num poema, entre versos com rimas simétricas ou não.

    Afogar-se assim é mergulhar em poesia pura.

    Dimas Lins

  3. Magna Santos
    3

    Ainda sem computador, só agora pude receber os comentários de vocês e tentar respondê-los.

    Cumpade, a "mãe" dele somos nós mesmos. Portanto, meu irmão, impossível tirá-lo de lá, nem falando grosso.

    Dimas, essa experiência de afogamento só é bom nas palavras, na vida real, mergulhar atrás de um outro que não existe é bem dolorido.

    Obrigada.
    Abraços.
    Magna

  4. Luna Freire
    4

    Para isso existe o teatro, a literatura. Para sermos nós, sendo múltiplos… Este afogamento é bom e nos devolve a nós mesmos, renovados, com fôlego para novo mergulho.

  5. Magna Santos
    5

    É, Fabiana, é uma forma de sentir e viver. Nada como o teatro, a literatura ou, quem sabe, terapia.
    Vamos que vamos!
    Por falar em ir, não estou esquecida da visita que te prometi, mas o relógio anda implicando comigo. Promessa é dívida.
    Beijão!
    Magna

  6. Borboleta
    6

    E ai de nós se não fosse a expressão pela arte!! Nos afogaríamos em nossas angústias existenciais, sem podermos externalizá-las através de nossas criatividades. Viva a angústia criativa!!!

  7. Josias de Paula Jr.
    7

    E olha que, me vei a mente quando li o poema, entre aquele que está olhando o fundo da lagoa e o outro que está submerso, há o reflexo que a superfície da água projeta. O "nós" se divide mais ainda… e reflete, e refrata…
    Viajei!
    O que importa é que fizeste mais um (profundo) poema.

  8. Magna Santos
    8

    Borboleta, como Luna, você nos lembra uma "alternativa", de fato, tranquila. Viva a arte!

    Josias, querido camarada, tive um problema com este poema (como já tive com outros): lidar com diversas interpretações que não aquela que intencionava, quando o escrevi. É um exercício de desapego. Cheguei a pensar no fracasso por causa disso e o sentimento de frustração me dominou, confesso. Depois recuei do sentimento ao constatar que as "diversas interpretações" eram tão legítimas e importantes…como poderia eu pensar em tanto? Assim, viva o fracasso de quem escreve! Viva a vida independente das palavras!
    Você me trouxe uma viagem maravilhosa com o "nós". Muito obrigada.

    Beijos.
    Magna

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