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À DERIVA

À DERIVA

nov 08

Depois de alguns dias sem postar em Sementeiras, olho para esta terra e vou lendo os comentários que me nutrem com aquela sensação esquisita de que minhas palavras chegaram a alguém, por algum motivo. Às vezes queremos nos perpetuar de algum modo. Nascemos com uma espécie de sina para o desejo da imortalidade, vai ver que é a herança da real, vai ver que é o medo da morte, quem sabe. Enfim, deixemos de mas mas mas. Lembrei-me agora do que me perguntou o meu cumpade este final de semana, enquanto eu conversava com o seu compadre sobre assuntos, digamos, da existência humana: “vocês beberam o que mesmo, hein?”. Isto, às 7:00h da manhã. Tenha dó! Antes que eu pudesse responder, fui salva pelo meu parceiro: “você pegou a conversa pela metade”. Ufa!

Assim, antes também que me perguntem a mesma coisa, é bom aqui esclarecer que este não pretende esclarecer nada especificamente. Bom seria eu ter o talento de Samarone Lima para falar de tudo displicentemente e terminar de modo charmoso, dizendo que não falou de nada, que está meio disperso e ainda escutar dos seus leitores: “você me fez feliz”. Ah vidinha mais ou menos!

E por falar em querer, eu queria mesmo era ter a capacidade de me duplicar para atender aos chamados do coração. Como não responder a uma criança que me chama: “tia, você vai para minha formatura? E para o aniversário do meu irmão?”. E pergunta à mãe, esperançoso: “mãe e se tia Magna for de surpresa, pode?”. Ai, meu Deus, eu queria ter poderes, porque não é todo dia que isto acontece. Lembro que na minha formatura do “abc”, eu estava tão nervosa, quanto os meus cabelos que se soltaram, por não se conterem em uma presilha pequena. Toda assanhada, estiquei meu dedo para que meu tio – avô daquele pequeno – pudesse me apadrinhar. Há momentos realmente raros.

Raridade é também ver um médico comprar um terreno apenas para salvar uma centenária timbaúba, ameaçada por um inescrupuloso, capaz de derrubar dezenas de suas irmãs. Um terreno com um único pé de timbaúba: esta é a prova do bem querer.

E uma mulher ainda grita no GPS: “recalculando a rota” e fico a me perguntar quantas vezes recalculei a minha. Por isto, amigos, antes que eu escute aquela pergunta novamente, devo dizer: hora de almoço, estou apenas tomando um cafezinho e tentando recalcular os meus dias, plantando algumas palavras nesta terra pequenina. Perdoem-me pela dispersão, como diria Samarone.

Fico aqui, no início desta tarde, à espera que um pequeno possa me tirar da lua, enquanto me lembra Gullar:

Uma parte de mim
Pesa, pondera
Outra parte
Delira

5 comentários

  1. Anonymous
    1

    Cara Comadre. É preciso beber, mas que seja café, que lembre o doce Teté. Que nos aqueça e nos aguçe para as causa introspectivas e possamos fazer com que estrapole o peito e aqueça o próximo também. Que nas rodas de café ou de pizza sejam levantados os temas de uma imortalidade ou da vida antes da morte ou da existencia depois da morte. Disso tudo vem a alegria de sentarmos ao redor de um assunto, que nos olhamos e nos fazemos compreender um elo inexplicado. Com certeza, talvez beberemos um café no final do ano.
    Halano

  2. ronaldo
    2

    Amiga. Muito bom os momentos que estivemos com vocês. Atenção; boa conversa (as grandes idéias parecem ter gravitação); simplicidade (na assinatura singela e verdadeira do despedir-se: "desculpem qualquer coisa", "pode?"); enfim bom a sensação de existir algures tanto acolhimento.
    Por falar em "momentos realmente raros" ontem também vivi um. Participei como convidado das Bodas de Ouro de um casal do sítio Pitombeira (área onde recentemente fui médico do PSF), quanta sabedoria ouvi em algumas palavras presenteadas que proferiram! Aula de convivência. Lembrei, inclusive, de algo que li do Gandhi: "eu não tenho mensagem, a minha mensagem é a minha vida". Mas o que quero dizer é que pareceram muito contentes com a minha presença. Só reforçando a idéia do valor da atenção.
    No mais, parabéns pela tua habilidade com as palavras.
    Abraço.
    Ronaldo.

  3. Magna Santos
    3

    Cumpade, esse teu talvez está enchendo o saco. Te agarra logo com o "com certeza" e vamos ver os fogos pipocarem no final do ano. Aí sim, vamos tomar aquele café para conversar até as duas da manhã.

    Ronaldo, impossível acolher quem não temos afinidade…fica um coisa meio capenga, como um abraço pela metade ou um aperto de mão com as pontas dos dedos. Que bom que você se sentiu assim. A recíproca é mesmo verdadeira.
    Agora, fiquei curiosa sobre a boda de ouro. Adoro saber destes momentos especiais, pescar as falas, as emoções. É nessas horas que a poesia passeia pura à nossa frente.

    Obrigada a vocês.
    Abração.
    Magna

  4. Dimas Lins
    4

    Magna,

    Pois digo bem que você captou o espírito de Sama, no seu deleitoso Estuário.

    Por isso, digo: "você me fez feliz!"

    Vai plantando sementes de palavras que a gente vai colhendo os frutos.

    Abraços,

    Dimas

  5. Magna Santos
    5

    Eita, Dimas, você com sua generosidade qualquer dia me leva aos ares. Como tenho medo de altura, certamente, desço rapidinho, pois é bom sempre estar com os pés bem fincados no chão.
    Abraços, meu amigo.
    Magna

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