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DimasLins
NA BANGUELA

NA BANGUELA

dez 02

Acostumei-me a responder com raiva às minhas tristezas. Parada num abismo ou numa encruzilhada, deparo-me com incômodas faltas próprias, falhas compartilhadas e cobranças diversas. O cansaço se espalha invasor, tomando territórios, antes destinados ao sonho, ao devaneio criativo. A vontade de escrever não resiste ao peso nos ombros e nos olhos. Necessário trincar os dentes, não apenas para aguentar o tranco, mas para ter forças. A ATM já reclama, meu coração reclama, minha mente também. Assim, melhor parar de queixumes e olhar de frente o abismo…conversar com ele.Foi então que ouvi ao meu lado (quando os ombros pesam, teimamos em só olhar para baixo…ilusão):
- Magninha, tu podes ir ver o Lenine no dia do meu aniversário? Quero os meus amigos comigo.

- Claro.

Fomos lá: uma penca de amigos e o restante dos milhares sentados em suas poltronas à espera da atração da noite. O congestionamento rendeu mais de meia hora de atraso, porém as luzes foram apagadas e o palco ganhou outro charme, outra cor. Difícil explicar o que se passa no coração, quando constatamos aquele ganho inusitado, aquele estalo que diz: “meu Deus, é isso! Estou no lugar certo com as pessoas certas”.

O sorriso de minha amiga valia dez shows e fiquei pensando que algumas pessoas realmente nasceram para serem pontes, fontes de união, de paz, de alegria. Isto dá uma esperança danada que renova, que trata, dá um chute de bico nas reclamações.

“Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa”

O pernambucano arrepiou a cearense:

“Tá relampiano
Cadê neném?
Tá vendendo drops
No sinal pra alguém”

Das faltas que me sobravam, das cobranças que me atordoavam, uma necessidade ele lembrava, quem sabe, uma sugestão:

“Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara…”

É mesmo, Lenine, muito rara. Por isto, aproveito para comunicar: eu vou é na banguela, amigos.

Na banguela: descer a ladeira sem engate de marcha nem força, só no embalo do vento, da descida.

10 comentários

  1. naire valadares
    1

    Adorei!!!
    Vivo na banguela faz tempo.
    Beijo pra tu, flor.

  2. Cynthia
    2

    Adorei II. Agora me diz, foi este último no dia 26/11? eu tava lá!
    beijos!
    Cynthia

  3. Magna Santos
    3

    Naire, vou na banguela por necessidade, senão bato o motor. Mas, se gostar do negócio, adoto na hora. Obrigada pelo carinho.

    Cynthia, foi este mesmo. Clenes tinha me dito que havias ido. Na música de Nenem, não me contive não…e pra que conter, né?
    Mais de 2 horas de pura simpatia e espetáculo genuíno. Que show!

    Gosto tanto quando vejo vocês aqui…
    Obrigada.
    Beijão bem grandão.
    Magna

  4. Beta Martins
    4

    Na banguela ,de ré ,na contramão …como der certo. Nesse Natal e em 2011 td de bem bom p vc .
    Engata um grande abraço ai
    Beta

  5. Edjane
    5

    Mulher,

    que "banguela" emocionante, daquelas que causam frio na barriga! Não sabia que era mais um presente p'ra mim… quanta modéstia, heim?! Mas fazer o quê? Quem tem os melhores amigos do mundo, só pode ganhar os melhores presentes, verdadeiros "objetos transicionais"(olhe só que arrumei um jeito de trazer nosso velhinho querido – que não é Papai Noel- p'ra cá), absolutamente paradoxais,nos matam de chorar por uma imensa alegria e essencialmente COMPARTILHÁVEIS,pois são seu, meu e de todos os nossos amigos…
    Obrigada mulher, obrigada por "virar o jogo e transformar a perda", as tristezas, numa coisa tão linda; por nos tomar como parte disto; obrigada pela amizade, pelo companheirismo, por estar sempre ao lado e ainda mais "em penca", dotando de concretude a poesia de Lenine:
    "Quando eu olhar pro lado
    Eu quero estar cercado
    Só de quem me interessa"

    Um beijo,
    Ed

  6. Magna Santos
    6

    Ah, Ed, sei mais o que te dizer não, só que quem ganhou o presente fui eu(nós).
    Que Deus te abençoe sempre.

    Beta, gostei da opção "ré". Contra-mão? Às vezes me arrisco e aí é onde mora o perigo: falta gravíssima. Tenho que preservar um pouquinho dos pontos da "carteira".
    Tudo de melhor pra ti também! 2011, se Deus quiser(e a gente também), trará bons momentos.

    Obrigada.
    Beijão pra vocês.
    Magna

  7. Dimas Lins
    7

    Magna,

    Sou reconhecidamente frouxo e não sei viver como se não houvesse amanhã, porque, afinal, pode não haver.

    Se um dia tiver que descer na ladeira de ré e sem freio, que seja em Olinda, num bloco de carnaval. hehehe

    No mais, que saudade de ir a um show bacana como esse!

    Dimas

  8. Magna Santos
    8

    Dimas, não foi bem essa a ideia da banguela. O que posso te dizer, eu que também sou frouxa pra algumas coisas, é que, no caso, até o final do ano e janeiro, banguela é questão de sobrevivência.
    Ah, o show foi mesmo muito bacana.
    Abração.
    Magna

  9. Luna Freire
    9

    As vezes é bom deixar-se ir na banguela, o vento batendo no rosto… (deixa a vida me levar!!!) E, então, depois, a gente retoma as rédeas, segura o leme, vai de ré ou contra-mão conforme a necessidade! Xêro pra ti, e abraços de parabéns atrasado em Edjane.

  10. Magna Santos
    10

    Pois é, Fabiana. Banguela é bom, porém, por precaução, descanso as mãos no leme mesmo…só por precaução.
    Mas, sim, depois, depois retomo a força…tudo.
    Beijão.
    Magna

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