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FILA DE ESPERA

FILA DE ESPERA

mar 27

Encontrei um escritor numa fila de espera. Estávamos lá para sorrir e aprender um pouco mais sobre interpretar. Ensaiei uma pessoa descontraída a conversar desinibida como se velha conhecida fosse. Convenci tantos e do escritor sobrou-me livros, todos em sua velha algibeira. Ele parecia adivinhar que eu gostava das letras. Eu que nada falara sobre elas, que disfarçara a timidez por entre lorotas de desenganados.

- Um ingresso, pelo amor de Deus!

- Já estamos há uma hora a esperar.

- Olha a fila de idosos.

- Olha a fila!

Quando a alegria se resume a olhar para os últimos da fila, é porque perdemos a noção do tempo ou simplesmente a noção.

O fato é que o espetáculo transferiu-se para a calçada. Multidões, reclamações, hesitações…água, chicletes, jujubas.

A fila aumentava e diminuía na medida da paciência e da esperança. E eu lá permaneci, o escritor e eu como se nada tivéssemos para fazer.<

Os ingressos chegaram, mais pessoas também, a porta se abriu… foi quando a esperança cedeu lugar à certeza em plena entrada.

7 comentários

  1. Arsenio
    1

    Magna, minha querida

    O seu post me deu tratos à bola.
    O final, então, foi grande.
    Um coloquialismo escrito com fluência e sem falsos maneiros, o seu texto leva o leitor a unir as duas conjugações verbais poéticas essencaisi: pensar e sentir ou vice-versa.

    Mando -lhe um Drummond nesse domingo de sol e poesia. O nosso pota maior, com simplcidade, evia longe. Mesmo coisas tristes e episódpios corriqueiros, o poeta extraía de sua seiva o caule de uma verdade resl e dolorosa.c

    "PORTÃO

    O portão fica bocejando, aberto
    para os alunos retardatários.
    Não há pressa em viver
    nem nas ladeiras duras de subir,
    quanto mais para estudar a insípida cartilha.
    Mas se o pai do menino é da oposição
    à ilustríssima autoridade municipal,
    prima da eminentíssima autoridade provincial,
    prima por sua vez da sacratíssima
    autoridade nacional,

    ah, isso não: o vagabundo
    ficará mofando lá fora

    e leva no boletim uma galáxia de zeros.

    A gente aprende muito no portão
    fechado."

    (Carlos Drummond de Andrade, Menino Antigo, Livraria José Olympio Editora, p.49)

  2. Arsenio
    2

    Magna, minha querida, reenvio-lhe o post, com as correções.

    O seu post me deu tratos à bola.
    O final, então, foi grande.
    Um coloquialismo escrito com fluência e sem falsos maneirismo; um texto que leva o leitor a unir as duas conjugações verbais poéticas essencais: pensar e sentir ou vice-versa.

    Mando -lhe um Drummond nesse domingo de sol e poesia. O nosso pota maior, com simplcidade, via longe. Mesmo coisas tristes e episódios corriqueiros, o poeta extraía de sua seiva o caule de uma verdade real e dolorosa.c

    "PORTÃO

    O portão fica bocejando, aberto
    para os alunos retardatários.
    Não há pressa em viver
    nem nas ladeiras duras de subir,
    quanto mais para estudar a insípida cartilha.
    Mas se o pai do menino é da oposição
    à ilustríssima autoridade municipal,
    prima da eminentíssima autoridade provincial,
    prima por sua vez da sacratíssima
    autoridade nacional,

    ah, isso não: o vagabundo
    ficará mofando lá fora
    e leva no boletim uma galáxia de zeros.

    A gente aprende muito no portão
    fechado."

    (Carlos Drummond de Andrade, Menino Antigo, Livraria José Olympio Editora, p.49)

  3. Magna Santos
    3

    O que seria de Sementeiras sem teus presentes, Arsênio?
    Maravilha de Drummond!
    Muito obrigada, amigo.
    Que Deus te abençoe!
    Beijão.
    Magna

  4. João Carlos
    4

    Ah Ah! Achei a Magna! E foi por osmose.Ninguém me falou (ou sou eu que ando meio alheio ?).
    Vim assinar a Ficha de Inscrição.Não posso elogiar nem criticar.Só invejar! Mas a boa inveja (?).Poesia.Nem do Jardim eu sou.Estou no maternal.Espero que a poesia me queira porque eu estou querendo.Ao menos começo à frequentar os jardins certos.

  5. Magna Santos
    5

    Que coisa tão boa, meu amigo João por aqui. Como é bom começar o dia, sabendo da tua presença aqui neste terreno,onde se pretende sempre a plantação do bem.
    Você aqui, João, é garantia de poesia com alegria e leveza.
    Abração bem grandão!
    Fique com Deus!
    Magna

  6. SABATIKA
    6

    Nada como umalonga fila de teatro para se conhecer uma pessoa amável, de bom gosto e bonita. Muita paz

  7. Magna Santos
    7

    Benditas filas que nos dão oportunidade de conhecer pessoas como você, gentis ao ponto de resolver problemas que não são seus e ainda presentear com livros.
    Muito obrigada.
    Tudo de bom pra você.
    Abraço!
    Magna

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