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DimasLins
RECICLADO

RECICLADO

abr 08

Piedade, meu Deus!
Eu não sabia do fim
O asfalto na cara é o que me resta
Deste mundo sofrido
Pessoas me perguntam
Sem que eu atine
Respostas
Algo aconteceu…
Só uma buzina
Uma luz
São minhas lembranças

Piedade, piedade!
Já não escuto nada
O asfalto na cara esfria
Meu corpo inteiro

Piedade, Criador!

Cada garrafa, papelão, papel
Vale o tempo perdido
Agora reciclado

Piedade, meu Deus!
Onde ela está agora?

E eu?

Onde estou?

7 comentários

  1. Tadeu Rocha
    1

    Comecei bem a sexta feira com mais um belo poema.

  2. Magna Santos
    2

    Obrigada, Tadeu. Que bom que gostou.
    Sinto necessidade de falar um pouquinho da motivação deste. Estou no momento, como todo país, abalada com a morte das crianças no RJ. Mas, antes disso, na noite anterior, fiquei impactada ao ver um senhor e sua carroça (de reciclagem) no chão da avenida Boa Viagem. Apesar de, infelizmente, comum os acidentes nesta cidade, não quero me acostumar com eles. E a figura do senhor(carroceiro) comoveu a todos, acho. Depois de um dia recolhendo material, trabalhando, provavelmente, voltando pra casa, eis a batida, o atropelamento…a família sem notícias, enfim.
    Vamos em frente. Mais um final de semana…também é um bom motivo para nos reciclarmos por dentro.
    Fique com Deus!
    Beijão.
    Magna

  3. Tadeu Rocha
    3

    Magna, vc conseguiu captar o drama no poema. Ficou denso, bem cadenciado. O verso "o asfalto na cara esfria meu corpo inteiro" concentra e revela toda tragédia. O verso "Piedade, meu Deus!" serve de contra-ponto. E o final remete a reflexão. Mais uma vez afirmo, um belo poema.

  4. Arsenio
    4

    Magna,

    Assino – com muita honra – os comentários certeiros do Poeta Tadeu.

    Tadeu chamou-nos a atenção para os dois versos nucleares do Poema.

    Um poema dorido, mas um Poema com maiúsculo.
    bjos do amigo
    Arsenio

  5. Magna Santos
    5

    Agora eu me lembrei do nosso amigo João Carlos com suas tiradas pra lá de bem humoradas: estou toda ancha. Na minha terra, dizemos 'paba'.
    Mas o que fico mesmo é agradecendo a Deus pela oportunidade de escrever e de poder ser lida por vocês, meus amigos.
    Escrever muitas vezes pra mim é questão de sobrevivência e lê-los também.
    Beijão.
    Magna
    Obs:vou lá agora no Fusca que agora virou Barbearia. A primeira vez que entro numa. Arsênio e Tadeu, quero indicar pra vocês um link que tem aí do ladinho: Inscritos em Pedra. É de Josias de Paula Jr., o Geó, amigo de Sama, Arsênio. Um poeta de primeira e que anda sem publicar já faz um tempo, o que é lamentável, mas faz parte dos momentos da vida. Faz tempo que quero te indicar ele, Arsênio, se é que já não o conhece.

  6. Arsenio
    6

    Vou lá minha amiga, ainda não o conheço. Mas indicação sua tem prioridade total.

    E andando com Sama, e sendo seu amigo, boa gente ele é. DISSO, DÚVIDA NÃO HÁ.

  7. Magna Santos
    7

    Geó é mais um que não conheço pessoalmente, apenas falei por telefone, mas não tenho dúvidas que é gente boa. Meu faro é certeiro, além das referências serem ótimas, como você bem lembrou: Sama e também Dimas Lins, outra figura do bem.
    Vai lá mesmo, meu amigo, o cara não é fraco não. Explora bem que você vai encontrar poemas como este:

    O PULO DO GATO

    No chão
    o gato
    às vezes
    é caça

    Às vezes
    é o cão
    que força
    o salto –
    o cão
    em sua
    raiva atávica

    Ao gato
    no escuro
    resta o pulo
    e a segurança
    do muro

    Mas
    quem se guarda
    detrás
    do muro,
    de outro mal
    se esquiva
    e improvisa
    sobre o tal
    uma nova
    cerca

    Com a qual
    o gato
    em sua fuga -
    suspensão
    do corpo e da vida -
    fará contato

    Une
    o destino infame:
    o medo do dono
    do muro
    e o medo
    do gato
    do cão -

    E a pele e o arame
    no toque,
    no choque
    que é o fim:
    eletrocução

    Josias de Paula Júnior.

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