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MURO

MURO

jul 20

Dez minutos de atraso foram suficientes para perceber o quanto o atraso é permanente na sua vida. Ela estava sempre à espera, disfarçadamente controlada, como um bombeiro a dois passos de uma bomba. Não importa se o coração quase sai pela boca, importante são as mãos não tremerem, o juízo concatenar ideias, as pernas andarem. Para onde?

Faz anos permanece em círculos. Vive sentada num muro imaginário, onde só os passarinhos a visitam e, vez ou outra, uma borboleta distraída.

Atende pelo nome de fulana, sem sobrenome nem nada que a possa expor. Tem que se preservar até a última gota…de sangue, esse mesmo que também não sabe o tipo e que passeia nas suas veias, graças ao sistema autônomo.

Autonomia é um tabu que aprendeu quando criança. Disseram-lhe que não sabia de nada e ela acreditou. E até hoje fica sem saber e acreditando piamente que não pode, não merece e não vai. Por isto, fica, criando raízes ao invés de asas.

13 comentários

  1. Domingos
    1

    E este muro alado Magna! Que imagem ! Quanto eu pude enxergar de mim neste texto, impregnado da dura realidade, que só a poesia pode comportar. E mais não digo.
    Domingos

  2. Hérlon Fernandes Gomes
    2

    Que a metamorfose que se operou na boboleta visitante uma dia ensine fulana a criar asas e lhe cochichar que o impossível é coisa de quem não tenta!
    Lindo texto!

  3. Magna Santos
    3

    Só a poesia pode embelezar, Domingos. Quem comporta, muitas vezes, é um coração apertado com gosto de lodo de muro.
    É muito bom ver você aqui, meu amigo. Que férias, hein?

    Hérlon, tuas palavras certamente trazem argumentos importantes de lembrar.

    Obrigada, amigos.
    Abraços.
    Magna

  4. Dimas Lins
    4

    Magna,

    Que continho maravilhoso. Continuas hábil escrivinhadora, semeando palavras.

    Abraços,

    Dimas Lins

  5. Magna Santos
    5

    Muito obrigada, amigo das letras.
    Vamos em frente.
    Abraços.
    Magna

  6. Anonymous
    6

    Magna, passei para fazer uma visita!!! Beijão
    Anninha

  7. Magna Santos
    7

    Que bom! Obrigada, Anninha.
    Beijão!
    Magna

  8. Canto da Boca
    8

    Magna, ao ler-te é impossível não lembrar de alguns textos do Galeano, n´O Livro dos Abraços: http://www.epsjv.fiocruz.br/beb/textocompleto/008802 em "Celebração da voz humana/2"; "Os sonhos esquecidos"; "O Estado na América Latina"; "A burocracia/1"; "A burocracia/3"; há tanto em comum entre vocês.

    Beijo, ótimo domingo!

    ;)

  9. Magna Santos
    9

    Boca, não estou conseguindo abrir o livro. Computador novo, programas velhos. Vou dar um jeito nisso para poder me deliciar com o Galeano.
    Muito obrigada pela tua presença que me abre outra janela. Obrigada.
    Beijão bem grandão.
    Boa semana.
    Magna

  10. Luna Freire
    10

    Ai… ainda bem que eu li o vento primeiro… Vento é mais alegre que muros!

  11. Magna Santos
    11

    E pontes também são mais alegres, né, Fabiana?

  12. Josias de Paula Jr
    12

    Que texto! Profundo, melancólico. Mal que acomete a tantos…
    Vejo, de novo, tons "psicanalíticos". É mestra nisso!

  13. Magna Santos
    13

    Já te disse isto: você que é psicanalítico.
    Beijão.
    Magna

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