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PEDREIRA

PEDREIRA

ago 29

As luzes sagradas de Recife me esperam. Gente dorme lá embaixo, enquanto exulto em chegar. Poucos sabem da minha existência e isto pouco importa. Os que sabem me dizem coisas boas e boa mesmo é a vida, as cores, o tempo.

Retorno de uma cidade limpa, belíssima, quase impecavelmente arquitetada para encher os olhos e a vida dos seus habitantes. Poucos pedintes pela rua…poucos? Acaso um só não seria muito em qualquer lugar?

Parece que ainda estamos complacentes a uma lógica perversa.

Alguém comenta na jardineira*: “se tem coisa feia nesta cidade, eu não vi”. Aponta-se, então, um barraco. É, desconfia-se que há gente a sofrer.

E sou salva por Leminski na sua pedreira curitibana:

*tradicional ônibus turístico de Curitiba

7 comentários

  1. Domingos
    1

    Eita Magna. Pelo telefone lhe perguntei sobre a Pedreira e você falou que tinha escrito. Haja coincidência. Leminski nos dai hoje a poesia com frio e tudo o mais que o só o bandido que sabia latim pode nós dar. Não fosse uma profecia eu cegasse hoje mesmo. Mas é a tua viagem que importa. E o teu regresso mais ainda. E o sol que é a marca impressa nos teus poemas te recebeu com todo gás. Que bom. Curitiba recebeu um belo sopro da poesia pura e bela que invade o cais vinda do sertão. E porque eu vou dizer mais alguma coisa. Mais não digo.
    Domingos

  2. Magna Santos
    2

    Coincidência? Será? De todo modo, "distraídos venceremos", ou não?
    Abração!
    Magna

  3. Dimas Lins
    3

    Magna,

    Bons ventos a trazem de volta na leveza das horas, apesar dos pesares e descontamentos do mundo. Sim, um só pedinte é demais em qualquer lugar. A pobreza torna duros os olhos de quem a vê, não de quem a sente.

    Que tua poesia seja como o mar de Leminski e se espalhe para tudo quanto é lado.

    Dimas

  4. Magna Santos
    4

    Obrigada, Dimas.
    E amém.
    Abraço.
    Magna

  5. Canto da Boca
    5

    O Recife tem essa magia, e como magia, inexplicável, e que assim seja, né Maga?
    Para quem existes, também existe do tamanho do seu sentimento, e como não tens tamanho em sentires, és imensa em si, em nós, e no mundo que te sabes.
    Um dia quem sabe, a limpeza, a beleza e garantia de direitos básicos, será a realidade de todos os brasileiros, banhados pelo mar de poesia leminskyniana? Num mundo igual, cheio de respeito a um e a todos…

    Beijos, e eita como é bom nos embrenharmos por esse Sementeiras!

    ;)

  6. Magna Santos
    6

    Eita, Boca, ler tuas palavras nesta manhã de quinta-feira me banhou de alegria e de uma emoção que gostaria de sentir todo santo dia. Muito obrigada.
    E, sim, dia virá em que todos poderemos conviver com a justiça e a dignidade. Não tenho a menor dúvida. Foi para isso que tanta gente lutou, morreu, sangrou e vive ainda se embrenhando em busca de mais e mais possibilidades iguais.
    Da nossa parte, plantaremos palavras, colhidas na beleza e certa tristeza desta vida. A esperança é o que nos guia, a beleza é nosso chão, o amor é nossa arma.
    Amém!
    Beijão bem grandão.
    Fique com Deus!
    Magna

    Deixo um pouco de Quintana:

    ESPERANÇA

    Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
    Vive uma louca chamada Esperança
    E ela pensa que quando todas as sirenas
    Todas as buzinas
    Todos os reco-recos tocarem
    Atira-se
    E
    — ó delicioso vôo!
    Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
    Outra vez criança…
    E em torno dela indagará o povo:
    — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
    E ela lhes dirá
    (É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
    Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
    — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

  7. Aivlis Sego
    7

    sim, sim…

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