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SONHO EM CORDAS

SONHO EM CORDAS

nov 10

Dois instrumentos de corda aprendidos e mais um desejo: outro instrumento de corda. Não adianta o apelo da mãe para se aventurar noutra categoria: teclado, sopro…

_ Não, eu quero um cavaquinho.

Mais apelo.

_ Mas é o que eu quero, mãe.

Pois bem, pensei com meus botões o quanto nesta vida somos tentados, solicitados para outras praias, outras paragens e quanto a tentação é grande em renunciar aos nossos quereres, que, de tanta renúncia, acaba-se um dia sem saber ao certo o que agrada ao coração.

Com 16 anos, dois instrumentos e um grande desejo, percebo que há muito o que ensinar.

_ Quero ganhar dinheiro no aniversário para juntar e comprar meu cavaquinho.

Pronto, estava dito e proclamado definitivamente o sonho e o projeto, com metas definidas para nenhum consultor botar defeito.

Lembrei do percurso desse menino. Crescimento trabalhado de perto por pais amorosos e presentes. Cada passo tomado com tanta sensatez, cada dia aproveitado com tanta sabedoria e agora ele nos dava uma lição, mais uma.

Como dar-lhe dinheiro? Concretamente seria fácil e os educadores, possivelmente, vislumbrariam a oportunidade positiva de deixá-lo concretizar o projeto passo a passo. Sim, com certeza, grande aprendizado.

Porém, onde ficaria o afeto? Como não registrar, desta vez, que a trilha é essa mesma: a da descoberta e busca dos próprios sonhos? Por que represar minha vontade de vê-lo abrir um pacote do desejo?

Com a cumplicidade da mãe, do pai, da família toda e com a paz que o amor promove, fui à Rua da Concórdia buscar um cavaquinho com gosto de sonho. Comprei-lhe a capa. Empacotei o desejo. E nada, nada foi mais valioso do que ver o sorriso do meu filho do coração, sentir sua alegria, vibrar com seu entusiasmo e receber aquele abraço de amor e gratidão, escutando as palavras mais abençoadas que os ouvidos podem suportar:

_ Eu te amo muito, madrinha!

Eu também, meu filho.

Que nunca te falte clareza para o que te aquece o coração: teus sonhos, teus desejos. Só tu poderá sabê-los, mas estaremos sempre aqui, ao teu lado, para te ajudar a alcançá-los.

11 comentários

  1. Domingos Sávio
    1

    Eita Magna, cavaquinho abençoado. Não é a toa que foi comprado na rua da Concórdia. Os nomes das nossas ruas, quanta poesia. Que beleza o seu texto. Grande abraço. Fica com Deus.

    • É isso mesmo, meu amigo. Não pode faltar concórdia, quando andamos com afeto.
      E ainda poderia ter sido na Rua da Amizade, da Harmonia(como lembraste agora no telefone), da União, da Aurora…Recife é rica em nomes que gostaríamos mesmo de caminhar na vida.
      Obrigada.
      Fique também com Deus!
      Abração.
      Magna

  2. Magníssima, que coisa linda!!! Esta árvore aí… ai… dá vontade de sentar embaixo dela e ficar… sonhando. E não é isso mesmo o que acontece? A gente chega aqui e fica, na sombra destes galhos, embalada pelas palavras que você planta. …e que este cavaquinho ajude teu afilhado a tocar muita música boa, porque uma coisa comprada com tanto amor certamente é fonte abençoada de inspiração.

    • Fabi, estava faltando tu aqui. Desde o post anterior sinto tua falta.
      Lembra que eu comprei o cavaquinho no dia que fui a tua casa? Ele já está sendo bem aproveitado. Com minha mania de “arranhar” os cds no som do carro, o de samba de Chico andou animando o tocador. Falta a cifra e o treino, o qual já anda fazendo com gosto. E eu…só babando.
      Beijão!
      Magna

  3. Eu estou parada, refletindo diante da profundeza do seu texto! Sim, é bem verdade, quanta vezes nao somos seduzidos pela vida, para abrirmos mao dos nossos sonhos mais enraizados, e as demais ofertas acabam por suplantarem aquilo que de sagrado carregávamos no nosso peito?
    Eu preciso aprender mais sobre isso…
    Mas essa sua transgressao santa nao corrompeu nenhum sonho, nenhuma estrutura moral, antes pelo contrário, enfatizou o amor, o sonho, e sinalizou caminhos para concretudes.

    Um beijao!!

    • Estamos todos aprendendo, Val. O cavaquinho me ensinou muito. Conviver com meu filho do coração me ensina muito a cada dia, como deves aprender com tuas filhas.
      Minha intenção foi realmente essa que falaste: enfatizar o amor e a força que têm os sonhos e a busca por eles. Acho que ele entendeu.
      Beijão!
      Magna

  4. Faltou um S ali, Magna! Onde tem quanta, leia.se: quantas!!

  5. João Carlos
    5

    Não poderia ter agido melhor.Tanto afetiva quanto musicalmente.Quem nasce prá “cordas” nunca vai ser “teclas”.Quem disse isso foi o coração do garoto.Falou o talento e a aptidão.E a madrinha ? Foi pura concórdia!

  6. bela casa… belas palavras… levanto a taça em homenagem às aleluias da estrada e em teu nome…

    • Obrigada, Silvinha. Um brinde a você também e ao Barro Cru que molda, refaz e cria o percurso do coração e dos sentimentos que esbanjas.
      Um brinde à vida!
      Beijão!
      Magna

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