REBELDIA
REBELDIA
jan 16As palavras passeiam na minha frente, fazendo pouco da minha lentidão. Não que sejam apressadas. Não. Demoram-se nas encruzilhadas, deitam-se nas ruas. Sim, entre jornais e revistas atravessadas. Nem o vento as fazem desaparecer.
Chacoalham em cima da lagoa. Refletem-se na água. Deitam na beira da estrada e riem. Gargalham. Depois choram, coitadas, pela solidão humana. São solidárias – elas – as palavras. Cheias de compaixão, admiram-se de tantos bêbados da vida que vêem em duplicidade, mas não conseguem pegar nada, acertar nada, viver…
Com-paixão.
Brincam, porque sabem viver.
E eu que ainda estou aprendendo, agarrei-me ansiosa à trilha das palavras, sem atinar a direção que tomavam.
Acostumei-me a tê-las com facilidade. Havia esquecido as letras: d-i-f-í-c-i-l. Por isso, hoje resolvi confundi-las. Enquanto elas me abandonarem, assumirei o caminho dos ventos.
Nada de trilhas, só vento.
*Imagem previamente autorizada exibição por Pachelly Jamacaru, cujo blog é farto de lindas fotografias.





Também viajei Magna! Logo na sexta e perdi a ESTIAGEM. Mas Rebeldia rima com rock and roll.E cá estou inaugurando 2012 na Sementeiras.
PS: Com uma senhora gripe (haja tosse!)
Nada como uma boa viagem para começarmos bem o ano, não é verdade, João?
Tentei, como disse lá no SS do dia 31, comentar tua coluna lá de Carneiros, mas foi impossível. Pense!
Obrigada pela presença, meu amigo.
Daqui te desejo saúde!
Abração!
Magna
E agora? “D-í-f-í-c-i-l”, mesmo articular alguma coisa que preste, diante de tantas palavras de calar, de refletir e de voar!
Mas beijos eu posso deixar, não é? Moça de confundir palavras e de emocionar gente(s)?
P.S.
Eu fiquei rindo ali, da proposta de cantarmos ‘parabéns pra você’, pra nós! Eu adoraria, querida!
Val, só não quero que seja difícil marcarmos nossa comemoração.
Beijão bem grandão.
Magna
Parece que mudou o ano e chegou o tempo da reflexão. Minhas férias não provocou nada disso, feliz ou infelizmente. Tomei minhas férias com a intensão de esvaziar-me, deixar o balde secar para enchê-lo novamente. Corri para perto do mar, como se Recife não fosse íntimo do oceano para me ausentar de mim mesmo. É isso.
Dimas
Dimas, na verdade, aqui expresso um misto entre as férias e a volta delas.
Do retorno das férias, quando opto pela falta de direção, o deixar-me ir(vento), embora com uma certa dedicação.
Das férias, a sensação de não ter papel à mão…vendo as palavras irem e virem sem que eu pudesse escrevê-las, foi uma experiência inusitada, talvez de desapego. Se tivesse com os “instrumentos”, acredito que saíria alguns escritos.
Mas, experimentei(e precisava) da vivência do esvaziar-me que bem descreveste.
Abração!
Magna
Os ventos, Magna, não gostam das palavras que ficam. Daquelas que se querem e se supoem definitivas. Eles preferem as ditas “soltas ao vento”. Volúveis, passageiras, transitórias como a própria vida. Que, no entanto,- não nos esqueçamos – é Verbo encarnado. Enraizado em nossa humana condição. Comprometido. Verbo que era no princípio e que conosco continua. Nós nos servimos das palavras ou delas somos escravos ? That is the question. Quem tira férias afinal ?
Ainda estou aprendendo, meu amigo Edgar.
Palavras são tão essenciais, creio, quanto a própria vida. Uma coisa é certa, elas não tiram mesmo férias.
O que sei é o que acredito, que amanhã pode não ser mais. Porém, gosto de lembrar sempre de Gibran: “as palavras são eternas, deveis pronunciá-las ou escrevê-las, lembrando-vos da sua eternidade”.
Que bom o teu retorno e tua presença aqui. Obrigada.
Abração.
Magna
E quantas vezes as palavras são também cruéis como punhais?
(mas as suas, apesar da rebeldia são palavras adocicadas)