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DimasLins
AGONIA

AGONIA

fev 04

Esse céu nublado que não deixa
A lua aparecer por entre as nuvens
Acolher os meus antigos queixumes
Apreender os mais sinceros perdões

São Jorge não é a sombra que penumbra
O dragão há muito tempo fugiu
A lança no meu coração partiu
Espinhos já invadem minha cama

Levanto para dormir
Acordo para sonhar
Deito para falar
Espero pra não fugir

Choro o que não sei
E o que sei…deságuo

Voz no deserto
Sem arrependimentos
Sem choro
Sem vela
Sem cais…
Sem vento

O ar fica preso nos pulmões
E o bocejo é a chave que o liberta

14 comentários

  1. Magna, amiga!

    Estes versos – tão belos – trazem em todas as linhas um laivo de ansiedade. As antíteses figuram este sentimento de forma perfeita:

    Levanto para dormir
    Acordo para sonhar
    Deito para falar
    Espero pra não fugir

    Comecei a ler… segui linha em linha… não queria que acabasse o poema. Delícia vir aqui. Boa leitura. Espaço acolhedor, tão verde, tão tranquilo. Saudades!

    Beijo

    • Que coisa tão boa, Ila, tu de volta!! Bem-vinda sempre!
      Muito obrigada pelas palavras.
      A estrofe que destacaste, de fato, foi o que me moveu no poema. Linha por linha, desse jeitinho…na madrugada que não acabava.
      Beijos!
      Magna
      Obs.:preciso me deliciar com calma lá no Ensaios

  2. Nem o céu, nem as nuvens, nem as sombras ( nada), são suficientes para obliterar o que o coração deságua e o que a poesia consagra. O bocejo libera o ar do pulmão, e a escrita acode a pulsação!

    E eu aplaudo e deixo beijo!

    ;)

  3. Acordar para sonhar?
    É muito triste quando não há perspctiva de concretizar os sonhos. Isso dá uma verdadeira agonia.
    Agora, sonhar juntos, isso é lá com Dom Hélder. Risos.
    _Beijos.

    • Roberto, mas há também a agonia pela ansiedade em realizar, por isto mesmo que, muitas vezes, se precisa acordar, levantar, esperar e trabalhar muito mesmo pela realização.
      Beijão e gosto muito de te ver aqui.
      Fique com Deus!
      Magna
      Obs.:tesco, para quem não sabe, sorteia sempre livros para os seus leitores. É só dá uma chegadinha no blog – por sinal, Roberto, esqueceste de colocar o “G” no blogspot. Aí vai o endereço correto: http://www.tescoaqui.blogspot.com/

  4. Eita, essa insônia feita de palavras… Boa só pra nós, os leitores.

    • Pois é, Fabi, tem gente que escreve na insônia, dormindo e outros que escrevem até com enxaqueca.
      Beijão pra ti!
      Magna

  5. João Carlos
    5

    Tantas vezes me senti assim.Como esse poema.Muita gente, também, já se sentiu (ou se sente nele).Mas poucos,como Magna,sabem traduzir os sentimentos dessa forma.Incisiva! Eu fico incrível!

    • Eita, João, que honra saber que estas palavras tiveram ressonância em ti.
      Muito obrigada, meu amigo.
      Abração!
      Magna

  6. Magna,

    Sempre enxerguei em teus versos e tuas crônicas uma doçura tão singular que bastaria ler algo teu, ainda que sem assinatura, para reconhecê-la como autora.

    Nestes versos, não. Há um tom mais seco, mais duro, mais ansioso, mais febril. É como se você nos mostrasse outro viés que ainda não conhecíamos.

    E embora goste bastante de sua maneira de escrever, estes versos me tocaram mais, talvez, por não esperá-los. Talvez seja uma redescoberta ou uma vontade de variar. Dizem que cada escritor tem um estilo que é como uma assinatura. Vejo nestes versos – talvez eu esteja vendo demais – que você mudou um pouco os traçados do seu nome.

    Enfim, posso dizer que gostei bastante dessa nova cara, embora fique um pouco de saudade do seu estilo tão próprio. Em todo caso, acho que é um aprendizado e isso é bom.

    Dimas Lins

    • Meu amigo, acho que somos tanta coisa. Neste teu paladar aguçado de escritor, me alegro em saber que te nutri de outros sabores.
      Recebi teu comentário como um acalanto nestes últimos dias. Foi um acalanto tão bom que me sortiu outras linhas. Teu comentário disparou outro poema, esta é a verdade.
      Grata demais, Dimas, por isto e por tudo, afinal. Tomara que não demore para marcarmos o encontro da Ciranda Literária. Puxa o bonde, depois da festa de Momo.
      Abração!
      Magna

  7. O poema é perpassado de agonia. Dimas fez referência a um tom mais seco e duro. É por aí. Afora o que outros já disseram, pouco tenho a dizer. Mas não posso deixar de dizer uma coisa, o final do poema, seus dois últimos versos: “O ar fica preso nos pulmões
    E o bocejo é a chave que o liberta”, é simplesmente espetacular! Um achado poético, no sentido mais pleno da expressão. Beijo.

    • Até valeu a pena a agonia só para ter de volta o poeta amigo Geó aqui por este canto verde.
      Obrigada, camarada.
      Ultimamente, tenho bocejado bastante.
      Beijão.
      Magna

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