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DimasLins
RECIFE

RECIFE

mar 12

Não quero falar de tuas ruas, avenidas, alamedas cobertas de verde. Não hoje, quando tenho a minha frente tuas pontes.

Noites encontrando os teus rios me valeram o sentimento do mundo que carrego, enquanto o mundo ainda se esgota nas suas próprias verdades. Para fazer justiça, não apenas tu me deste o sentimento do mundo, mas a necessidade de compreender esse vai-e-vem onde nos perdemos e nos encontramos a todo instante, entre as distâncias nas estradas, entre cidades…estados tão meus. No entanto é aqui que vivo, me perco e me acho.

Também não é para te contar que teus meninos ainda correm soltos, presos nas tuas veias, desconhecendo seus sentidos, quando estiram a mão em busca do que ainda nem sabem. Há muito ainda para viver, sonhar e, oxalá, não tenham seus sonhos perdidos na  próxima esquina, onde a cuca arranjou morada. Sim, aquela cuca que mudou de nome para cola, crack, abandono, violência e tantos palavrões.

Mas este é apenas para te agradecer por todos os filhos que passaram pelo teu chão. É para te agradecer, Recife, por tudo o que me deste: todos os ganhos e perdas contabilizados. Tudo valeu a pena!

Vê. Estou aqui. Eu e tantos outros.

E mesmo que a lua não seja cheia hoje, teu bolo já contém 475 velinhas. Tu deves lembrar do primeiro que pisou teu chão…nós não, nem sabemos, porque a história, Recife, a História não diz de pequenas coisas, porém sei que tu vais receber este meu pequeno gesto.

3 comentários

  1. EDGAR MATTOS
    1

    Este nosso Recife, “metade roubada ao mar/metade á imaginação”, é, na voz cáustica do seu poeta maior, uma cidade “ingrata para os da terra/boa para os que não são”. Ainda assim, quando dela nos afastamos, não hesitamos no cantar: “Sou do Recife com orgulho e com saudade/Sou do Recife com vontade de voltar”. Até que a saudade nos traga pelo braço… Sua rica história, de glórias e insurreições, não diz das pequenas batalhas que, heroínas como Magna, travam no triste quotidiano dos seus capitães do asfalto. A História não diz dessas pequenas coisas pois, se assim fosse, o Recife hoje muito teria a agradecer aos que não se deixam enganar pela euforia dos carnavais, e aqui vivem, se perdendo e se achando, o drama desses seres desse mangue sem via, onde os “homens são sem sonhos/Como qualquer mineral”

  2. Magna,

    Depois de uma distância forçada, volto tardiamente em sua homenagem a Recife, a qual estendo a Olinda, onde morei por tanto tempo que perdi as contas.

    Recife dos sobrados e arranha-céus, que mistura o velho ao novo, a tradição à modernidade e encanta a gente, apesar dos canais entupidos, dos meninos em suas ruas e da violência ainda assustadora.

    foi um baiano que disse que cidade velha e bonita assim já nem há. Concordo com ele e, em teu louvor, Recife, ergue um brinde à nossa velha amizade.

    Dimas

  3. “Recife cidade lendária”, dentre tantas canções que a evocam, eu cismei com essa…

    Por mais que essa cidade seja homenageada e ela o é, essa que agora leio, é uma das mais tocantes, sim, é. É linda!
    Fiquei imersa na sua narrativa, vaguei pelas ruas e avenidas, fiz meus percursos mentais, os lugares que mais amo, e os que mais odeio também, nessa nossa “cidade anfíbia”, eu uma filha adotiva dela, com um imenso amor diluído, entre seus rios, correndo sob as pontes, fazendo outras pontes de alegrias e afetos, como esse que nos liga.

    Um texto excepcional, eu me sinto tão feliz e viva por lê-lo e por saber que foi escrito por ti, minha querida Maga…

    Deixo um beijo grande!

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