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TorcedorCoral

ago 08

Há momentos em que o sentimento da desimportância é maior que tudo. Tudo pode funcionar sem mim:

O padeiro vai continuar cedo na labuta, independente de eu não comer pão pela manhã.

O bombeiro vai soar a sirena ensurdecedora sem ligar pros meus sensíveis ouvidos.

O gari na matina trabalha… se durmo ou continuo insone… que lhe interessa se a sujeira de muitos lhe dá o sustento de cada dia?

Quantos sorrisos eu dei, quantas mãos apertei, quantas palavras proferi na ânsia de dizer algo significativo…ah…

Ah, manhã, grata pela tua presença, mas a noite é que me acorda para quão pouco preciso ou quão pouco sou precisada.

Louvado é o mundo que funciona livre de nossas frágeis presenças!

E, um dia, o pó que servirá de alimento para sonoros ou silenciosos hospedeiros seguirá no terreno, alimentando andorinhas que pousarão na pitangueira farta de mim.

Repleta de mim.

Distante de mim.

Nesta minha comum desimportância.

8 comentários

  1. Edgar
    1

    Magna, deixe essas reflexões para mim, um setentão, tempo propício a esse tipo de balanço existencial A pitangueira demorará ainda muito tempo para se fartar de você; e as andorinhas, coitadas, terão que buscar outras opções para não morrer de fome…
    Nem vou me ocupar em demonstrar a importância do seu papel num mundo que necessita muito mais de você do que de padeiros, bombeiros e de garis. Apenas direi que muitos dependem do seu sorriso, do seu aperto de mão e, sobretudo, da sua palavra densa de significação e de Poesia.

    • Meu amigo, tua generosidade a cada dia se expande sem limites. Muito obrigada. Mas, ai de nós se não fossem os padeiros, garis e bombeiros. O mundo estaria sem pão, sujo e um perigo constante sem socorro.
      Quanto às reflexões, quem de nós tem a certeza de quem vai primeiro? Ilusão, meu querido amigo.
      Somos esse pó mesmo. Como ainda não sei incluir música aqui(Dimas, socorro!), deixo o acesso para um vídeo(o único que encontrei), cuja música é por demais apropriada para este escrito. Oswaldo Montenegro antes de cantá-la(no seu disco Letras Brasileiras) fala da paz que pensar nisto(ser pó) pode trazer, sobretudo, naqueles momentos difíceis. A autoria é de um compositor de Brasília.
      Abração.
      Magna
      https://www.youtube.com/watch?v=EJL5BBxUTUw

  2. Cada morador desse mundo com a sua devida importância (ainda que muitos não os considerem), e a vida em sua ampla cadeia, acontecendo e todos acontecendo juntos…

    Belíssima reflexão, Magna, sem dúvida!

    Beijo!

  3. Magna,

    Bem o sei a diferença entre a tristeza do indivíduo e a do escritor. A do indivíduo só a ele pertence, enquanto a do escritor pertence aos seus personagens e reflete a sua visão do mundo. O escritor não precisa sentir propriamente a dor. Basta apenas que tenha os olhos abertos e o coração sensível. E isso você fez com maestria.

    Estava com saudades do Sementeiras.

    Dimas Lins

    • Dimas, apesar de já ter conversado contigo sobre este comentário, não resisti em te dizer: eu também estava com saudades de você aqui no Sementeiras.
      Obrigada.
      Abraço.
      Magna

  4. Magníssima,
    sim, somos só um pozinho, um pozinho de nada… mas cada grãozinho mínimo é essencial e carrega consigo a grandeza do universo. Vc, certamente, não tem ideia de sua importância. E, claro, o mundo vai continuar existindo sem nós. Mas o que a gente escreveu, falou e, principalmente, a forma como a gente agiu com nossos amigos e no nosso mundo… tudo isso deixa marcas e rastos que não se apaga.

    • Ô, Fabi, ainda preciso responder teu email, mas deixa logo eu te dizer: saber que sou pó me dá um conforto danado.
      Beijão!
      E muitíssimo obrigada.
      Magna

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