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SURREALIDADE

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jan 28

Dali

Minha poesia anda preguiçosa
Espera uma brecha após o cochilo da tarde
Está cansada de pensar, de falar
Por isto, sente e emudece

Minha poesia anda egoísta e alienada
Não quer saber de catástrofes nem de prefeituras
Ela não quer saber
Quebrou a tv, queimou os jornais
E saiu correndo ao pressentir os gritos do vizinho
Correu de ouvidos tapados
Olhos fechados
Cabelos em desalinho

E entrou de cabeça em um dos quadros do Dali

*Escrito dias antes da recente tragédia de Santa Maria(RS), quando então a poesia chorou.

5 comentários

  1. Edgar
    1

    Faz muito bem, Poeta Magna. A realidade anda muito pouco poética. Embora a vida do povo brasileiro seja épica. Um poema épico. Mas, para exercitar o lirismo autêntico, alienado e belo, basta a imagem da lua cheia ( sem os bigodes de DAli…).

  2. Magna,

    Estamos os dois assim: ausentes, mas que de vez em quando publicamos alguma coisa. E você fala muito bem dessa preguiça ou mesmo de não escrever por obrigação. A necessidade de escrever é do espírito e quando vem é fatal, sem impedimentos ou falta de agenda. Ela simplesmente vai para o papel.

    E ler você é sempre reconfortante, mesmo quando seus versos coincidem com as catástrofes da vida.

    Dimas

  3. A minha poesia vem se aliar à mesma ausência que habita em vós, embora pulse e rebente transgressora nos cadernos que carrego na bolsa… E aqui acolá, se recolha em protesto diante das amarguras e tragédias que os homens insistem em fabricá-las. Mas daí, daí venho lê-los (Magna, Dimas, Sama, Fabi, Geó, Ana Cláudia e Silvinha ), e apesar das tragédias e das emboscadas da lida, saio revigorada e querendo plantar o mundo outra vez…

    Beijos, Magna!

  4. Após tanto tempo, sobretudo, dos dois primeiros comentários e agora acompanhados do de Valda, venho agradecer a presença sempre amiga, as palavras continuamente generosas de vocês.
    De fato, escrever nos traz conforto, esperança e, principalmente, a certeza de estarmos o tempo todo nos refazendo neste mundo.
    Muito obrigada, amigos.
    Abraços.
    Magna

  5. Magna, olha eu voltando aqui para integrar-me ao germinar de suas sementes!
    Que lindo tudo isso que você escreveu. Eu penso que essa fuga dos males modernos, no mais das vezes, é necessária, porque já aviltados estamos constantemente por esses gritos e cortes de violência gratuita. Que a poesia engajada tenha seu lugar, mas precisamos também desse disseminar de palavras sublimes, que nos lembre dessas emoções claras que estão cada vez mais raras. Receba meu abraço afetuoso e saudoso.

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