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SEM BÚSSOLA

SEM BÚSSOLA

abr 14

Depois de um dia deparando-me com a dor alheia, sobrou-me pouca coisa ou quase nada para ofertar a quem quer que seja.Escapo para os amigos, antigos amores, só solidão. Escapo para o ocaso, só compaixão. Escapo entre dores e amores. Chego aqui e esta terra úmida tem tanto de mim… Deito e descanso. Ao menos Oswaldo me dirá algo amanhã. Ao menos ele poderá me falar que “a vida...

PREGUIÇA

PREGUIÇA

abr 10

Nessa preguiça em que me encontro Viver é fácil Deslizo Escorrego De todas as dores e desconfortos Nesta preguiça Encontrar-me é difícil Pensar também Falar impossível Cantar mais ainda Deito e assisto Ao nada que produz Um levitar de ares ao redor de mim Respiro como se pensasse Como se Falasse Como se Cantasse E assim fico Esquecida de...

RECICLADO

RECICLADO

abr 08

Piedade, meu Deus! Eu não sabia do fim O asfalto na cara é o que me resta Deste mundo sofrido Pessoas me perguntam Sem que eu atine Respostas Algo aconteceu… Só uma buzina Uma luz São minhas lembranças Piedade, piedade! Já não escuto nada O asfalto na cara esfria Meu corpo inteiro Piedade, Criador! Cada garrafa, papelão, papel Vale o tempo perdido Agora reciclado Piedade, meu...

VERDADE

VERDADE

abr 02

Verdade é Tatuagem com convicção Depois de um tempo… Vê-se que o dragão Poderia ser uma flor Ou apenas Uma semente … Talvez.

MENTIRA

MENTIRA

abr 01

Mentira é o não Inconformado Por ser não. Desistente de si mesmo.

FILA DE ESPERA

FILA DE ESPERA

mar 27

Encontrei um escritor numa fila de espera. Estávamos lá para sorrir e aprender um pouco mais sobre interpretar. Ensaiei uma pessoa descontraída a conversar desinibida como se velha conhecida fosse. Convenci tantos e do escritor sobrou-me livros, todos em sua velha algibeira. Ele parecia adivinhar que eu gostava das letras. Eu que nada falara sobre elas, que disfarçara a timidez por entre...

O NADA E O POETA

O NADA E O POETA

mar 20

E o poeta emudeceu Tornou-se caule Dos seus pés brotaram flores Da sua cabeça, raízes E assim ficou por vários dias Vertical invertido “Minhas palavras Estão se quebrando Partidas Anuladas Findas…” O vento respondeu: Não, poeta Estão caindo Acolhidas pela terra Para brotarem … Em seguida. Para Gustavo de Castro (blog Razão Poesia). As palavras aspeadas foram dele,...

PAI?

PAI?

mar 15

Pai, corre, vem ver que legal, parece de verdade. Parece a última brincadeira que fizemos lá na areazinha de trás. Vem, pai, vem ver. Estou até lembrando de como montamos a cidade, colocamos os barquinhos, os carros, até aquela lancha que você gosta. Arrumamos os prédios, enfeitamos árvores e brincamos o dia inteiro de cidade. Lembra, pai? Você trouxe os aviõezinhos que o primo Teco...

O DEVORADOR DE POESIA

O DEVORADOR DE POESIA

mar 13

Sua mãe nutria ouvidos Mãos Sentidos Coração… Seu pai caminhava Junto a ele … Ver os poetas Rever alguns Dos muitos livros Degustados na boa praça Na simplicidade da vida Pirulitou o primeiro Há tempos Desembalou em confeitos Há muito Nutrição enriquecida: Pessoa Quintana Gullar Patativa Drummond Tantos outros… Pareciam guiá-lo No apetite E na vida Hoje não sofre...

CINZAS

CINZAS

mar 11

As cinzas se espalharam pela via Entre coros e desvarios Ficou a retidão da passarela Agora rua Passos curtos voltam a trafegar Largos Estreitos Apressados Sonolentos Tantos Mais Voltou a realidade Voltou a praça A banda a passar Sem fantasias Só alegorias A imaginar

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