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DimasLins
O LOUCO EMPOEIRADO

O LOUCO EMPOEIRADO

jul 21

Costumava ler Gibran como quem lê gibi, por diversão, até o dia em que parou no Louco. Viu-se nas ruas como o personagem a gritar e encontrar o sol sob os olhares perplexos da multidão. Viu-se como em uma miragem. Assustou-se! Jamais poderia dar-se ao inusitado, era contido demais, previsível demais. Nunca mais leu um livro sequer do poeta, nem O Profeta foi capaz de seduzi-lo....

PESADELO

PESADELO

jul 19

Silêncio Eles dormem Todos dormem A escuridão lá fora… Rodas em movimento Postes se acendem Mostrando o caminho Esquinas e mais esquinas Vazias de gente Todos dormem O pesadelo espreita aqueles que roncam Assustam-se com eles Eles se assustam Os sonhos não são lembrados Esquecidos Ficam no sono Como se não sonhassem Como se desaparecessem Ao dormirem Silêncio! Preciso de sono Ou de...

DESPERTA-DOR

DESPERTA-DOR

jul 13

As águas me levaram junto com as telhas, portas, janelas, paredes da minha casa. Nem parece que passei anos para construir o que tenho, tinha. Restou o despertador maluco a me avisar da hora veloz. Acabou tudo num instante, o instante do aperreio, do desespero, das crianças desamparadas, perdidas, dos velhos sem resistência para nadar, para subir nos lugares mais altos. Uma avalanche de água...

LUDOVICO

LUDOVICO

jul 08

Esqueceram a cacimba no lugar Mudaram as cercas Cavaram a estrada de sulcos compridos Estreitaram Colocaram tijolos na casa de taipa O olho d’água chorou Distribuíram meninos em casas distintas Quebraram a porteira Plantaram flamboyant O jasmim continua lá A cozinha abriu-se em outra porta Fecharam a janela Aumentaram o alpendre Nasceram mais meninos A luz chegou O candeeiro apagou As...

MUDA DE UM PÉ DE SERRA

MUDA DE UM PÉ DE SERRA

jul 05

Após retornar de viagem, mais uma muda me chegou, primeiro lida ao telefone, para depois me vir às mãos. A voz quase entalou ao escutá-la, mas era também aniversário do autor e urgia eu terminar os parabéns para depois pensar no choro. Mais uma vez, arrisco-me a publicá-la sem autorização, pois tenho aprendido que emoção boa deve ser compartilhada. Aqui está, então, um dos...

BEM-TE-VI, JUNHO!

BEM-TE-VI, JUNHO!

jun 17

Levanto os olhos e vejo o bem-te-vi solto no céu; brinca com o vento, que roça suas asas. Paira, plana e solta o gogó; com a chuva, busca abrigo. De longe, ainda escuto sua canção, outro lhe responde, depois outro e outro. Tenho uma atração por este canto e eles conversam numa intimidade que contagia…quase respondo, mas são seis horas da manhã, melhor não, os vizinhos não...

DE QUATRO EM QUATRO ANOS…

DE QUATRO EM QUATRO ANOS…

jun 11

- E aí, Freitas? Arrisca o placar de hoje? - Hein?! Tentava emendar uma resposta, mas o resultado era sempre desastroso. Cultura nenhuma de futebol, interesse nenhum e sabedoria pior ainda. Não escapava das furadas, das demonstrações de que aquele mundo não lhe pertencia. E o que conversar, então, em época de Copa do Mundo? Arriscava: - Rapaz, encontrei o vinil do Fagner com aquelas...

A BÊNÇÃO, RECIFE

A BÊNÇÃO, RECIFE

jun 06

Imagens de suas pontes correm o mundo. De Veneza Brasileira foi batizada, mas o que não se sabe é quantos caminhos existem em Recife. Aconchego dos poetas, que repousam nas suas praças, se embriagam com sua beleza, encostam-se nos baobás em plena tarde para acordarem por algum guarda desavisado, à procura de manter a ordem pública. Sim, Recife, tuas alas, tuas ruas que tantos já andaram,...

POR QUE, CEARÁ?

POR QUE, CEARÁ?

mai 31

Por que sempre me vejo menina nos teus braços, quando tantos anos já me correram? Por que sinto tantas saudades mesmo contigo? Por que tuas terras correm nas minhas veias igual a sangue? Por que me emociono quando passo naquele limite que chamam de divisa, mesmo amando também teu vizinho? Por que reconheço cada pedra e elas gostam de brincar na minha mão? Por que tenho tantas saudades de...

SEM NOÇÃO

SEM NOÇÃO

mai 24

Chegou numa manhã, quando eu ainda cochilava. Chamou-me de preguiçosa e emendou com outras tantas palavras que meus ouvidos sonolentos registravam a conta gotas: “você não tem noção…não sabe do seu tamanho…eu não faço nada”.Palavras escritas de próprio punho e lidas com uma emoção disfarçada. Seus 14 anos engrossaram a voz, eu não abaixo mais os olhos para...

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