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MUDA DE UM PÉ DE SERRA

MUDA DE UM PÉ DE SERRA

jul 05

Após retornar de viagem, mais uma muda me chegou, primeiro lida ao telefone, para depois me vir às mãos. A voz quase entalou ao escutá-la, mas era também aniversário do autor e urgia eu terminar os parabéns para depois pensar no choro. Mais uma vez, arrisco-me a publicá-la sem autorização, pois tenho aprendido que emoção boa deve ser compartilhada. Aqui está, então, um dos...

BEM-TE-VI, JUNHO!

BEM-TE-VI, JUNHO!

jun 17

Levanto os olhos e vejo o bem-te-vi solto no céu; brinca com o vento, que roça suas asas. Paira, plana e solta o gogó; com a chuva, busca abrigo. De longe, ainda escuto sua canção, outro lhe responde, depois outro e outro. Tenho uma atração por este canto e eles conversam numa intimidade que contagia…quase respondo, mas são seis horas da manhã, melhor não, os vizinhos não...

DE QUATRO EM QUATRO ANOS…

DE QUATRO EM QUATRO ANOS…

jun 11

- E aí, Freitas? Arrisca o placar de hoje? - Hein?! Tentava emendar uma resposta, mas o resultado era sempre desastroso. Cultura nenhuma de futebol, interesse nenhum e sabedoria pior ainda. Não escapava das furadas, das demonstrações de que aquele mundo não lhe pertencia. E o que conversar, então, em época de Copa do Mundo? Arriscava: - Rapaz, encontrei o vinil do Fagner com aquelas...

A BÊNÇÃO, RECIFE

A BÊNÇÃO, RECIFE

jun 06

Imagens de suas pontes correm o mundo. De Veneza Brasileira foi batizada, mas o que não se sabe é quantos caminhos existem em Recife. Aconchego dos poetas, que repousam nas suas praças, se embriagam com sua beleza, encostam-se nos baobás em plena tarde para acordarem por algum guarda desavisado, à procura de manter a ordem pública. Sim, Recife, tuas alas, tuas ruas que tantos já andaram,...

POR QUE, CEARÁ?

POR QUE, CEARÁ?

mai 31

Por que sempre me vejo menina nos teus braços, quando tantos anos já me correram? Por que sinto tantas saudades mesmo contigo? Por que tuas terras correm nas minhas veias igual a sangue? Por que me emociono quando passo naquele limite que chamam de divisa, mesmo amando também teu vizinho? Por que reconheço cada pedra e elas gostam de brincar na minha mão? Por que tenho tantas saudades de...

SEM NOÇÃO

SEM NOÇÃO

mai 24

Chegou numa manhã, quando eu ainda cochilava. Chamou-me de preguiçosa e emendou com outras tantas palavras que meus ouvidos sonolentos registravam a conta gotas: “você não tem noção…não sabe do seu tamanho…eu não faço nada”.Palavras escritas de próprio punho e lidas com uma emoção disfarçada. Seus 14 anos engrossaram a voz, eu não abaixo mais os olhos para...

CRIAS

CRIAS

mai 16

As minhas crias Gostam de vir à noite Sorrateiras Espicham-se na cama Me acordam dos sonhos Me embalando em outros bem melhores Os meus rebentos Não os conheço Às vezes, os pressinto Quase sempre os escrevo Nascem à noite De madrugada Na escuridão E sempre um clarão vem me visitar Quando estou com eles As minhas ramas Nascem da intuição E uma certeza me dá Não as escrevo Com apenas...

SEM DIQUES

SEM DIQUES

mai 07

Quando somos crianças, uma enxurrada de coisas novas nos chegam às mãos, ao nariz, aos olhos, ouvidos, tudo. Conhecer o mundo é algo que assombra, que encanta, exclama, embeleza e também interroga. O coração não dá nome aos sentimentos. Temos que aprendê-los todos. Alegria é quando dá vontade de pular, tristeza, quando dá vontade de chorar encolhida, vontade é algo que nos coça o...

HOJE

HOJE

mai 04

Hoje amanheci fresca como a chuva da minha infância Desarrumei as gavetas, destrocei a cama Esperei o sol nascer para lhe perguntar onde estava quando eu dormia Hoje percebi que tenho 35 anos 36 ano que vem Muita coisa pra fazer Nenhum filho pra cuidar Muitas crianças pra olhar…que não são minhas Ao menos se ele se chamasse Pedro Ao menos se ela se chamasse Clara Ao menos se minha...

PARAÍSO

PARAÍSO

abr 28

Pois bem, chegava exausta do trabalho. Subi os andares, imaginando que qualidade de companhia seria com tanto cansaço e alguma tristeza. Toquei o ‘blim-blom’ meio desmotivada, carregando um pouco da semana nos ombros, do tempo curto, da cabeça cansada. Uma voz lá de dentro me surpreende com o oposto do que sentia: - Tia, tia! Já vai, tia – grita com muita ansiedade. Abraços...

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